terça-feira, 15 de julho de 2014





OPUS

 



Os sinais sorriem na busca insensata
No brilho das perguntas, nos olhos
Que se ocultam por detras de desculpas
E in-sanidades

O silencio se estabelece e determina
Na ruidosa indagação,
Na insidiosa tentativa de calar
Os sentimentos e os sentidos

Os rumos e direções perdidos,
O sentir bandido subvertendo a ordem
A insegurança do não saber, ou assim achar que é...
O beijo na boca errada – a dissimulação.

O toque falseando a realidade,
O desejo avassalando o interior, na obscuridade da alcova
O contato suave daquilo que não está ali...
A culpa como uma capitã do mato...vigilante e esquiva...

O gozo jorrando insensatez, e inverdades
O presente ausente, no presente...
A saudade presente no ausente,
Como seria se assim fosse...

O suor da insanidade escorrendo pelas nuances do corpo
O acomodar de reentrâncias...
O olhar perdido na distância, na memória
A lembrança ... o passado... agora tão presentes

A claridade entrando pelos vãos, da manhã,
Inundando corpos e vidas de mágoas e culpas
Ira invadindo a antes então serenidade...

A na distância, o desconhecido apenas observa.



OPUS

 

Era como manhã...
Silencioso pássaro matutino
A brisa doce e suave
Cantarolando velhas e novas lembranças

Lua nova,
Lua clara,
Lua pedaço – minguante
O correr dos dias...
O velho Neruda inerte na estante
– Indiferente e distante.

A velha chaleira cheirando manhã
O apito, distante - tão presente

Ao pé do morro
A saudade, só e silenciosa
– Saciada.





OPUS


As fibras frias do vento precipitado,
Principia o frio da madrugada...
Os galhos das árvores acenam gestos indefiniveis
Em sombras indecifráveis e misteriosos...
Ser escuso correndo, se esquivando na penumbra...

As passadas termerosas, chapinham as poças
Lágrimas chuvosas  vertidas ao luar...
No balouçar da vestes brancas e translúcidas
Fantasmagóricas saudades...

No silencio imposto, o calar ruidoso
nos traços indecifráveis 
de velhas figuras perdidas no passado...
O hoje será ontem...

o o olhar se lança na luz da luz, 
como saudade de coisas intangíveis
percorrendo um caminho infindo, 
dentro da carência presente...

E nem mesmo o lembrar consegue trazer de volta...

E a ausência quebrou as grades, e ganhou o mundo.