Olhando pela Janelas...
Estranho gosto doce-amargo
inundando o céu da boca
sabor de coisas tidas e não esquecidas...
Estranho gosto táctil de coisas impressas
num plano etéreo e intangível...
o que foi..foi...
os olhos do lembrar se fixam onde não podem
e onde o que existe não pode ser mais tocado...
na sonolências do se retirar, lento e inexorável.
as cicatrizes, frescas e ainda sensíveis, latejam
mapas do inconcebível, alinhadas em ordem cronológica,
como um velho calendário empoeirado nas escaninhos d'alma
e as pegadas impressas no pó do tempo,
apenas indicam direção, mas nenhum sentido,
mesmo apontando algo ou coisa alguma...talvez coisa alguma...
os pensamentos sempre conduzem às culpas
como se aquilo que não foi feito ou dito
tivesse a obrigação de ser resgatado, mesmo que tardiamente
o gosto inesquecível do que foi se acentua, mesmo que sem definir-se
e a presença, tão ausente, se faz ainda mais forte - física,
lembrando à lembrança, a obrigação de ser esquecida
E no vazio daquilo que fica sem estar ali...
o som de despedidas e acenos de adeus,
esvaem-se nos ventos do tempo,
incólumes e inconsequentes,
como se o dia a dia fosse apenas mais um adendo...
o carrasco impessoal a lembrar do que talvez pudesse ter sido feito...
E os olhos se encontraram, e não era ainda nem 09h00...
Não tinha ali, naquele momento, o que olhar...
só a perda e o ininteligível pesar do não saber!
K'alB/2018.10.19