sexta-feira, 19 de outubro de 2018


Olhando pela Janelas...


Estranho gosto doce-amargo
inundando o céu da boca
sabor de coisas tidas e não esquecidas...

Estranho gosto táctil de coisas impressas 
num plano etéreo e intangível...
o que foi..foi...

os olhos do lembrar se fixam onde não podem
e onde o que existe não pode ser mais tocado...
na sonolências do se retirar, lento e inexorável.

as cicatrizes, frescas e ainda sensíveis, latejam
mapas do inconcebível, alinhadas em ordem cronológica,
como um velho calendário empoeirado nas escaninhos d'alma

e as pegadas impressas no pó do tempo,
apenas indicam direção, mas nenhum sentido,
mesmo apontando algo ou coisa alguma...talvez coisa alguma...

os pensamentos sempre conduzem às culpas
como se  aquilo que não foi feito ou dito
tivesse a obrigação de ser resgatado, mesmo que tardiamente

o gosto inesquecível do que foi se acentua, mesmo que sem definir-se
e a presença, tão ausente, se faz ainda mais forte - física,
lembrando à lembrança, a obrigação de ser esquecida

E no vazio daquilo que fica sem estar ali...
o som de despedidas e acenos de adeus,
esvaem-se nos ventos do tempo, 
incólumes e inconsequentes,
como se o dia a dia fosse apenas mais um adendo...
o carrasco impessoal a lembrar do que talvez pudesse ter sido feito...

E os olhos se encontraram, e não era ainda nem 09h00...
Não tinha ali, naquele momento, o que olhar...
só a perda e o ininteligível pesar do não saber!


K'alB/2018.10.19




quarta-feira, 17 de outubro de 2018



Café com lembranças...reminiscentes.


As lembranças sempre brincam com coisa sérias...
e o pensamento divaga e vai, como vento traquina que sopra sem eira e nem beira.

O olhar busca o que não está ali, mas é como se estivesse. Deposita-se lá atrás, com a naturalidade de quem olha o nascer de Sol pela janela de um ônibus de viagem ou de um avião errante - e tudo esta ali novamente, imagem e circunstância...

A respiração falseia e os sentidos - todos eles, se colocam em alerta, de prontidão, como se o ocorrido fosse entrar pela porta, que embora fechada, no lembrar sempre fica entreaberta, permeando o que foi e o que supõem-se que possa vir a ser...mesmo que assim não seja.

E os odores, tidos como pretéritos,  retornam todos - perfumes feromônicos, de flores, de brisa salina; sopro noturno de beira mar, ou mesmo de lençóis e afagos...

E retornam sons sussurados, íntimos e segredosos, vestidos de mistérios e carinhos...sons de volúpia e de aconchegos;  vezes baixos e discretos, outras vezes nem tanto - abrangentes...

E o toque de peles, de mãos; nos afagos sinceros porque o são; são novamente sentidos, eriçando pêlos e provocando arrepios...insinuantes ou somente acolhedores...

E na boca, retornam paladares únicos, impares, como se as frutas experimentadas surgissem novamento no seu encontro com a língua, no toque de lábios com lábios, escorrendo com néctar enebriante, tomando conta de tudo...

É...a lembrança sempre brinca com coisas sérias...mesmo sentada num aeroporto tomando café!


k'aláu/2018.18.01 - 20h49 Aeroporto de Congonhas


segunda-feira, 15 de outubro de 2018


Poeirando...


As coisas tendem a serem como tem que ser...
independem de nossa pretensa vontade de controlar tudo.
As coisas da vida, do coração e da existência,...caminham sempre
alheias a nossas pretenções e expectativas...

Já disseram "o futuro tem mania de cair em meio ao vão..."
Vida que segue, ignorando solenemente nossas estipulação de tempo
e espaço...
sempre nos lembrando de que ontem foi um hoje e amanhã
nada mais é que um hoje que chegou!

Sempre me vejo catando estrelas e vagalumes,
contando dias e horas...meses e anos...e não percebendo
que o tempo não esta nem ai para minhas humanas intenções,
segue incolume, soberano e intangível, indiferente às partículas
de poeira cósmica que por ele mesmo foi gerada e deixadas pelo seu caminhar.

E em minha tentativas de conter entre os dedos, a pele e o que vai no coração,
o tempo apenas segue, como um força invencível e irrefreável.

Hoje abri os olhos e deixei-me enxergar o óbvio de minha ignorância...
o Incontível contido em mim, nunca precisou de mim pra existir...apenas foi, é e será.
E por mais que eu possa querer o que  quero, dependo de que o quero também tem que me querer,
seja lá o que for...

Então...continuando garimpando estrelas em meu próprio céu e vagalumes em minh'alma,
sonhos em meus sonhos e esperanças no que for permitido...vou poeirando pela vida!

K'aláu/2018.15.10






quinta-feira, 4 de outubro de 2018

OLA!

DEPOIS DE UM LONGO TEMPO PERDIDO EM PENSAMENTOS E DESACERTOS, EIS QUE DEPARO COMIGO MESMO, ARFANTE E CANSADO, MAS REFEITO...OBSERVANDO O CAMINHO E NÃO MAIS O ANTES E O DEPOIS... SEGUINDO MINHAS PROPRIAS PASSADAS E SENTINDO O ENTORNO COMO UM FAREJADOR...UM ESPREITADOR, NA CERTEZA DE QUE O REAL É O AGORA...PASSADO É REFERENCIA E MAPA DE DORES E APRENDIZADOS E O FUTURO, UMA QUIMERA!

KALb

caminhar

OLA!
DEPOIS DE UMA LONGA JORNADA PELOS CAMINHOS DO ESQUECIMENTO, EIS-ME QUE DEPARO COMIGO MESMO, ARFANTE E REFEITO, COMO SE O ONTEM FOSSE SOMENTE UMA REFERÊNCIA DE LEMBRANÇAS BOAS, OU NEM TANTO, MAS COM A CERTEZA DE QUE O AGORA É REAL.
ENTAO VAMOS À LUTA...
QUE VENHAM NOVOS DESAFIOS E DESABAFOS D'ALMA!

KALb