quarta-feira, 17 de outubro de 2018
Café com lembranças...reminiscentes.
As lembranças sempre brincam com coisa sérias...
e o pensamento divaga e vai, como vento traquina que sopra sem eira e nem beira.
O olhar busca o que não está ali, mas é como se estivesse. Deposita-se lá atrás, com a naturalidade de quem olha o nascer de Sol pela janela de um ônibus de viagem ou de um avião errante - e tudo esta ali novamente, imagem e circunstância...
A respiração falseia e os sentidos - todos eles, se colocam em alerta, de prontidão, como se o ocorrido fosse entrar pela porta, que embora fechada, no lembrar sempre fica entreaberta, permeando o que foi e o que supõem-se que possa vir a ser...mesmo que assim não seja.
E os odores, tidos como pretéritos, retornam todos - perfumes feromônicos, de flores, de brisa salina; sopro noturno de beira mar, ou mesmo de lençóis e afagos...
E retornam sons sussurados, íntimos e segredosos, vestidos de mistérios e carinhos...sons de volúpia e de aconchegos; vezes baixos e discretos, outras vezes nem tanto - abrangentes...
E o toque de peles, de mãos; nos afagos sinceros porque o são; são novamente sentidos, eriçando pêlos e provocando arrepios...insinuantes ou somente acolhedores...
E na boca, retornam paladares únicos, impares, como se as frutas experimentadas surgissem novamento no seu encontro com a língua, no toque de lábios com lábios, escorrendo com néctar enebriante, tomando conta de tudo...
É...a lembrança sempre brinca com coisas sérias...mesmo sentada num aeroporto tomando café!
k'aláu/2018.18.01 - 20h49 Aeroporto de Congonhas
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